Ministério da Saúde pode rever política de saúde mental

07/07/2011 12:58

Ministério da Saúde pode rever política de saúde mental

Ministério da Saúde pode rever política de saúde mental

O Ministério da Saúde concordou em rever a atual política de saúde mental do Governo Federal e vai analisar a eficiência dos 1.560 Centros de Assistência Psicossocial (CAPs) e os serviços que eles prestam em todo o Brasil.

A garantia foi dada pelo secretário de Atenção à Saúde do MS, Helvécio Magalhães que na quinta-feira (dia 2/06) recebeu em audiência representantes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Ele reconheceu que é preciso fazer melhorias nos centros, avaliar e monitorar a qualidade no atendimento e, caso haja necessidade, fazer descredenciamentos. Helvécio Magalhães disse ainda que é preciso analisar a possibilidade de se criar ambulatórios de psiquiatria, contratar psiquiatras para as emergências e definir o que é serviço médico e serviço social, dentro das residências terapêuticas. “Sem abrir mão dos nossos princípios e sem concordar com tudo, mas vamos fazer a política de saúde mental andar” garantiu o secretário. Da audiência participaram os psiquiatras Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP, Emmanuel Fortes, vice-presidente do CFM, Carlos Eduardo Kerbeg Zacharias e Juberty de Souza.

Também ficou definido que o Ministério da Saúde vai abrir uma agenda para discutir os assuntos com a ABP que se colocou à disposição do Ministério para auxiliar no que for preciso. “A ABP tem todo o interesse em ajudar a melhorar à saúde mental do Brasil”, disse Antônio Geraldo. Ele sugeriu a criação de ambulatórios especializados como: ambulatórios de Esquizofrenia, TDAH, THB-Transtorno de Humor Bipolar, ambulatórios de Neurolépticos de Ação Prolongada – NAP, entre outros. Este tipo de ação, é efetiva para evitar internações e reinternações.

Emmanuel Fortes disse que o objetivo da ABP é contribuir na construção de um sistema que realmente funcione. Segundo ele, os CAPs nasceram hipertrofiados e não cumprem a função para o qual foram criados, por esta razão, o CFM irá avaliar a assistência médica que é oferecida pelos CAPs.
O presidente da ABP pediu ao secretário para rever a lista de medicamentos do programa de saúde mental, sem atualização desde 1986 e solicitou maior atenção ao programa anti-drogas do Governo. “Vai começar uma onda de internação por ordem judicial em função desta nova epidemia de crack e óxi e a falta de leitos para o tratamento desses pacientes, e o Governo não pode ficar ausente desse problema”, disse Antônio Geraldo.
Ele presenteou o secretário Helvécio Magalhães com os livros “Loucura” do jornalista americano Pete Earley, que conta a saga dele para internar o filho doente mental nos EUA; Álcool e Direção Beber ou Dirigir”, de autoria dos psiquiatras Sergio Duilibi, Ilana Pinsky e Ronaldo Laranjeiras, além do filme “Omissão de Socorro”, de Olívio Tavares de Araújo, documentário com histórias reais sobre a falta de assistência aos doentes mentais no Brasil.
Fonte: Imprensa ABP/Elisabel Ferriche

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Fonte: http://abp.org.br/2011/medicos/ministerio-da-saude-pode-rever-politica-de-saude-mental/

Tópico: Ministério da Saúde pode rever política de saúde mental

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Data: 08/07/2011 | De: Klessyo

Não só os psiquiatras Ray, mas, também os donos de hospitais psiquiatricos, industrias farmaceuticas, politicos e etc...É mais facil mostrar resultados através de números de internação na hora da eleição, do que ir construindo e desconstruindo o pensamento anti- manicomial dos CAPS! Cabe a nós, estudantes junto com outros segmentos da sociedade protestar contra isso e impedir que essas coisas aconteçam!

Abaixo ao retrocesso!!

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Data: 08/07/2011 | De: Rai

Pelo que percebi, realmente é um retrocesso. Pra resumir tudo o que vocês comentaram aí em cima: querem medicalizar todo mundo e novamente estigmatizar os portadores de transtornos mentais. Tudo por interesse próprio. Desculpa aí os favorecidos por este modelo: os psiquiatras.

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Data: 07/07/2011 | De: Klessyo

É impressão minha ou estamos retrocedendo na política de saúde mental???

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Data: 07/07/2011 | De: Denílson Paixão

Alguem apresente aos senhoras da ABP os autores Thomas Szasz e Laing, da anti-psiquiatria. O Szasz foi o primeiro presidente da associação norte-americana de psiquiatria e se voltou contra o modo pelo qual ela vinha se tornando, obsoleta.
Se os CAPS não cumprem seu papel é que reduzimos tudo aos medicamentos, e é exatamente o ponto que os da ABP querem reforçar, ou é impressão minha?!

Desabafo

Data: 07/07/2011 | De: Renan

O fato é que, como já foi mto parolado (plagiando meu querido Saramago), há que se desmanicomializar as cabeças que constroem a Luta Antimanicomial... Falando mesmo em termos de Redução de Danos, falta desintoxicar as práticas. Vivemos um período de plena transição de modelos, onde a hegemonia psiquiátrica respirando ofegantemente briga por não sucumbir frente ao desejo de potência de tantos outros segmentos, civis e profissionais, que gritam seus discursos no caminho inverso. E nossos gritos incomodam. Mas é sempre a mesma história da até adequada ignorância de não compreender o que é a Reforma Antimanicomial (antes mesmo de ser psiquiátrica). Fala-se de um não-cuidado e de uma perda do rigor clínica, pela visão mto da tendenciosa do que é cuidado e do que é essa tal "clínica". Falta mesmo desmanicomializar tudo, e todos.

Por outro lado, na fala de um usuário mto politizado daqui, há algo que me chama sempre a atenção: "a Reforma Antimanicomial NÃO TEM VOLTA". Seria esta frase uma verdade, ou um desejo de potência mto genuíno de fazê-la tal? Seja qual for a resposta (ou mesmo se esta não estiver claramente de um destes lados), o fato é que há mto trabalho por ser feito, e o convite, meus amigos (para não chamar de convocação) é à construção dessa tal "atenção psicossocial", que, cabe dizer, somos NÓS que teremos que fazer, cedo ou tarde. Seremos nós, seja como gestores, profissionais ou, mesmo, como usuários - que todos somos usuários do sistema único de saúde em algum nível...

Enfim, um desabafo, rs...

Renan Vieira de Santana Rocha
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"Quem anda no trilho é trem de ferro,
sou água que corre entre pedras:
liberdade caça jeito."
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(Manoel de Barros)

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